1 - Sala de estar e de jogo. Piano do século XIX. Cadeira onde Camilo se suicidou. 2 / 3 - Biblioteca: o seu mundo, onde escrevia, lia, se inspirava. 4 - A sua pasta. 5 - Poltrona no quarto da sua esposa (séc.XIX) 6 - Botas de Ana Plácido (esposa)
Hi Diamonds! Já tinha referido na minha página, que hoje visitei a casa de um dos maiores escritores da nossa literatura - Camilo Castelo Branco, nascido em 1825. Como já repararam eu não partilho apenas outfits e sugestões de moda, mas partilho também um pouco do meu estilo de vida. Um dos meus maiores prazeres é ler e escrever. Logo, esta visita deixou-me em êxtase, não só por conhecer um pouco mais a vida do escritor, mas também por regressar no tempo. Pela história, pela diferença de séculos, pela curiosidade, pela magia. E saí de lá fascinada! Penso que todos têm um mínimo conhecimento sobre o autor. Como eu tinha. Mas acredito que nem todos conheçam pequenos pormenores que agora irei contar.
Camilo tinha uma personalidade instável, irrequieto e irreverente. Casou com Joaquina apenas com 16 anos, mas a mera paixão juvenil terminou pouco depois. Passou por amores tumultuosos, teve uma vida boémia e foi o primeiro escritor da nossa bonita língua a viver exclusivamente dos seus escritos literários. Até aqui tudo bem. O que eu não sabia é que o Senhor Camilo escreveu para aquele que é o jornal mais antigo de Portugal Continental, o "Aurora do Lima" de Viana do Castelo. Aquilo que escrevia era pago ao metro, e sabiam vocês, meus caros leitores, que na altura Camilo escrevia sem vírgulas e pontos e que um dia em resposta ao director do jornal lhe disse: "Eu envio-lhe os pontos e vírgulas, o senhor coloque-os onde quiser pois eu não tenho tempo para isso!". Sabiam também que Camilo quando se deparou com Ana Plácido ficou deveras apaixonado e, uma relação com a mesma se iniciou. Ana Plácido era considerada das mulheres mais bonitas do Douro, estava noiva, casou, mas manteve o relacionamento com Camilo. Ambos foram presos, pois o marido de Ana os acusou de adultério. Posteriormente foram libertados por falta de provas, e o juiz do caso era nada mais nada menos que o pai de Eça de Queirós. E sabiam vocês, que Camilo não gostava nada de Eça? Aliás, ele não tinha amigos. Mas continuando, após a libertação de ambos, o marido de Ana falece, e é nessa altura que Camilo vai viver para Seide, a casa de Ana Plácido. Digamos que a morte do outro senhor, veio mesmo a calhar! E Camilo permaneceu nessa até ao dia da sua morte. A mesma casa que hoje visitei. E confesso, que muito viajei no tempo esta manhã. Não tinha a ideia de que Camilo se tinha suicidado porque não aguentara a sua cegueira. Não sabia que tinha filhos que considerava malucos. Não imaginava sequer que era ridicularmente baixinho. Criticava toda a gente, os homens não gostavam dele, mas as mulheres sim... E eu, sou apenas mais uma nesta era moderna a gostar dele também. Da sua personalidade, das suas obras, da sua irreverência. E algo que não vou esquecer, são estas palavras: "Sou o cadáver representante de um nome que teve alguma reputação gloriosa n'este país durante 40 anos de trabalho. Chamo-me Camilo Castelo Branco e estou cego.". Poderia contar histórias atrás de histórias, mas tornaria o post muito massivo e não tenciono fazê-lo. Mas deixo a sugestão, visitem esta casa, assim como outras tantas de autores nacionais, é sempre muito interessante.
Um post diferente do habitual, espero que tenham gostado muito sinceramente! Bisou, Ivânia *